Naturalmente Mulher

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Pai, o nosso primeiro desgosto amoroso

· 3 Min. Lesezeit · Ana Pinto

Recordava o colo do meu pai. Não tenho muitas memórias de estar no colo ou nos braços dele, mas recordava procurar sempre o seu carinho. Porém, haveria sempre uma certa estranheza.

Era como se o meu pai fosse incapaz de amar, tal como eu precisava. Mas eu ali ficava na mesma. Talvez se eu esperasse pacientemente ele viria a dar-me o amor e a aprovação que eu tanto ansiava. Eu esperava e esperava. Faria tudo para que fosse vista por ele.


Porém, os meus esforços seriam desvalorizados vezes sem conta. O meu pedido silencioso por amor ficaria por ouvir. Quando me diziam que as meninas eram muito mais ligadas aos pais, eu sentia-me culpada por não sentir essa ligação e proximidade. Sentia-me cada vez mais afastada. Ele continuava incapaz de manifestar afetos ou expressar carinho de uma forma natural. Eu paradoxalmente continuava a fazer tudo para ganhar a atenção e a aprovação dele. Tão grande era a minha necessidade de sentir amor daquele homem que eu tentaria sempre, ignorando muitas vezes os meus sentimentos ou sentir-me até mesmo humilhada e invisível em alguns momentos.

Julgo foi este o início de um padrão de comportamento para com os homens. A necessidade de ser amada e de agradar a todo custo. O meu pai seria o meu primeiro desgosto amoroso. Mesmo assim, eu continuava à espera daquele amor que desejava sentir por parte dele. Que ele dissesse e fizesse as coisas certas, tal como eu imaginava. Para que isso acontecesse, eu estava convicta que tinha de salvá-lo.


Contudo, eu percebera só muito mais tarde que não era a minha função salvar o meu pai. Que ele não precisava de ser salvo e que ele não sabia amar de outra forma, pois nunca lhe fora “ensinado”. O afeto tornava-o vulnerável e exposto. Coisas que ele receava e evitava a todo o custo. Ele tinha sido ensinado a sobreviver. Sobreviver à pobreza, sobreviver à morte e sobreviver à ausência de amor.

Seria injusto eu exigir dele algo que ele desconhecia. Que amor é esse em que exigimos amor? No amor, não pode haver exigência. No amor, não pode haver expectativa.

As expectativas impedem-nos. São uma lista que construímos e que nos diz exatamente como as coisas deveriam ser. Fazem-nos sentir seguros, mas também nos impedem de estar totalmente presentes e de viver quem somos. O desafio de deixar as expectativas é igualmente uma oportunidade para o empoderamento, motivado não pela vergonha ou punição, mas sim pela esperança. Esperança de uma abertura plena à vida.


As expectativas manifestam-se como uma lista de verificação na nossa cabeça, competindo constantemente pela nossa atenção. Afastamo-nos do momento, da pessoa e da relação para verificar na lista se tudo está a ser cumprido meticulosamente para depois voltarmos à realidade e exigir que o outro faça à nossa maneira.

Podemos continuar a procurar a felicidade fora de nós em todas as coisas e todas as pessoas, mas a verdade da nossa existência é que não há nada do lado de fora que nos possa preencher verdadeiramente.

Ein Brief pro Woche, für alle, die neu anfangen

Keine Werbung und keine Wunderrezepte. Ich schreibe über das, was ich in den Sitzungen höre: Trennung, gemeinsame Elternschaft, mütterliche Schuldgefühle und den Weg zurück zu sich selbst. Ohne festen Rhythmus - er kommt, wenn es etwas zu sagen gibt.

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